Praias Fluviais

Os melhores mergulhos da região

© Paulo Jorge de Sousa

Textos | Cláudia Gameiro, Joana Rita Santos, Patrícia Fonseca e Paula Mourato

Longe da costa também há praias de bandeira azul e albufeiras que se estendem quase até ao infinito, como oceanos de água doce. Há riachos selvagens, plácidas lagoas azuis e nascentes que se precipitam em cascatas. Espreite o nosso guia, com 21 recantos especiais aqui à volta, para apaziguar o calor das tardes quentes de verão.

Abrantes

Aldeia do Mato

© CMA

Com o verde e o azul a recortarem o horizonte, a praia fluvial de Aldeia do Mato, situada na zona norte do concelho de Abrantes, volta a hastear a Bandeira Azul pela décima vez consecutiva. Esta praia fluvial no rio Zêzere mereceu também em 2020 o galardão Qualidade de Ouro, da Quercus. Bem mais que uma piscina fluvial na albufeira de Castelo do Bode, com zonas separadas para crianças e para adultos e nadador salvador, a Aldeia do Mato distingue-se pelas ótimas condições que oferece para atividades de recreio náuticas – é possível alugar canoas, kayaks ou gaivotas e fazer wakeboard.

Abrantes

Fontes

© CMA

Depois de uma viagem serpenteada entre o arvoredo, a 30 quilómetros da cidade de Abrantes, descobre-se outra praia fluvial no Zêzere, com Bandeira Azul, em Cabeça Ruiva, na freguesia de Fontes. Emoldurada por uma abundante vegetação, situa-se num recanto da albufeira de Castelo de Bode onde o silêncio se impõe, quebrado apenas pela passagem de uma ou outra embarcação de recreio.

Da aldeia de Fontes, a 4 quilómetros da praia, tem-se uma vista deslumbrante sobre a albufeira e o percurso pedestre da Grande Rota do Zêzere entre Matagosa e Fontes permite também a descoberta de belíssimas paisagens.

ALCANENA

Olhos de Água

© Cláudia Gameiro

Não é oficialmente uma praia fluvial, pelo que não há bandeiras hasteadas, e carece ainda de um conjunto de estruturas de apoio Mas o município de Alcanena tem ambição e vem dando passos no sentido de dotar este espaço com tudo a que tem direito, começando por um parque de estacionamento organizado e um passadiço de acesso à praia. Ao lado, o Centro de Ciência Viva dá o mote para explorar a serra. Uma fusão perfeita de natureza e ciência.

O nome do local tem origem numa lenda sobre uma moura que se refugiou nas grutas do Alviela chorando os seus desamores. O pai queria obrigá-la a um casamento arranjado, mas ela só pensava no pobre por quem se apaixonara. Votada ao esquecimento, das suas lágrima brotou um rio.

Hoje são muitos os que se apaixonam pela transparência destes Olhos de Água e quem se aproxima das suas margens não resiste a um mergulho. Quem desejar um pouco mais de aventura pode fazer um trilho pedestre marcado em torno da praia, com a possibilidade de identificar uma maternidade de morcegos, única no país.

CONSTÂNCIA

Praia do rio Zêzere

© Luís Ribeiro

Na vila onde o Zêzere marca encontro com o Tejo não há praia fluvial oficial (por enquanto, porque o município está a desenvolver um projeto para criar ali novos equipamentos) mas há a zona ribeirinha, que atrai centenas de pessoas há décadas. É uma praia fluvial urbana mas mantém a envolvente natural e faz corar muitas praias listadas em guias turísticos.

Tem espaço suficiente para aproveitar em sossego as correntes serenas do Zêzere e refrescar o corpo das altas temperaturas de veraneio, e nas margens do rio há muita segurança para os mais pequenos brincarem entre as pedras roladas, sempre com água baixinha. Mais acima, espaços de sombra com árvores frondosas convidam a descansar e a fugir do calor, nos bancos dos jardins e do parque infantil ou nas esplanadas dos cafés e restaurantes da marginal.

Há também a possibilidade de, além dos banhos, alugar uma canoa ou caiaque e ir espreitar mais à frente, virando na esquina do Tejo, o castelo de Almourol.

FERREIRA DO ZÊZERE

Lago Azul / Praia da Castanheira

© Luís Ribeiro

A albufeira de Castelo de Bode ganha, em Ferreira do Zêzere, o enquadramento perfeito para mergulhos inesquecíveis. No coração de uma imensa área florestal, a Praia Fluvial da Castanheira alia à qualidade excelente das águas (que lhe valem as bandeiras Azul e Qualidade de Ouro) a beleza imponente dos montes que envolvem o chamado “Lago Azul”.

Depois de um mergulho nestas águas tépidas (a 26/ 27 ºC) procure um lugar na esplanada do Maven Café, um típico bar californiano. Ali há também uma escola de wakeboard e, por isso, não estranhe se ficar de repente rodeado de pranchas e fatos de neopreno. “Entre na onda” e divirta-se!

OURÉM

Agroal

© Cláudia Gameiro

A partir da Sabacheira, no concelho de Tomar, a praia fluvial do Agroal surge como um oásis turquesa ao fundo da serra, num vale circundado por verdes montanhas de vegetação rasteira. A descida do monte é quase catártica. Em contraste com a aridez do topo, surge no seu colo um verde e azul pujantes que nos parecem fazer mergulhar num cenário de conto de fadas.

Junto a uma nascente secundária do rio Nabão, onde o rio divide os concelhos de Ourém e Tomar, é uma pérola natural cujo potencial ainda está a ser explorado, em particular pelo concelho ouriense. Depois de uma requalificação da estrutura, há uma década, o município prepara agora a construção de um passadiço e uma reestruturação do estacionamento.

Mas ainda que a paisagem seja inebriante, o ponto forte do lugar está longe de ser o mergulho na ampla piscina criada pela nascente. Na senda dos milagres da vizinha Fátima, há quem encontre no Agroal alívios sem razão científica aparente. A água gélida, de arrepiar a espinha aos temerosos e digna de competições de masculinidade, é procurada por quem tem problemas de pele e é à fama das propriedades termais das suas águas que se deve em boa parte a atratividade do local.

Entre parques de lazer, passadiços e recuperação paisagística, ainda não houve quem se debruçasse a sério sobre as possibilidades terapêuticas destas águas. Talvez não haja mesmo mais nada a explorar – e não deixa de ser reconfortante acreditar que o nosso corpo recebe algo mais depois de um mergulho no Agroal, além de um valente choque térmico.

MAÇÃO

Carvoeiro

© CMM

É a donzela do concelho e veste azul há 14 anos consecutivos. É a praia fluvial da região que mais galardões e distinções tem recebido ao longo da última década, juntando à Bandeira Azul a Qualidade de Ouro da Quercus.

Com um enquadramento natural verdejante, a 25 minutos de Mação e a menos de um minuto da vila da Carvoeiro, é um espaço apetecível para reuniões familiares, deixando as crianças brincarem e correrem à vontade. O sossego só é interrompido pela música do bar ou pelas risadas que se soltam das brincadeiras dentro da piscina ou nos jogos de cartas entre amigos, sentados na relva aconchegante e fresca.

A praia está dividida com zona de banhos para adultos e para crianças, e tem cadeira anfíbia para pessoas com mobilidade reduzida, bem como rampas de acesso aos patamares superiores. Vigiada por nadador salvador, tem também zona de areia com espreguiçadeiras e toldos de palha, balneários, posto de primeiros socorros e um amplo estacionamento à entrada.

À volta das piscinas, frondosas árvores autóctones fazem sombra sobre as mesas de merendas espalhadas na zona cimeira do recinto. Numa das pontas, um telheiro com churrasqueiras e mesas compridas é também um local aprazível para almoços mais elaborados… e demorados.

MAÇÃO

Cardigos

© Joaquim Diogo

A jusante da Barragem do Vergancinho, em Cardigos, é a mais moderna das três praias de Mação. Dá ares de piscina de hotel, inserida num vale abaixo da zona central da vila, e atrai milhares de visitantes todos os verões com as suas águas límpidas, tratadas e vigiadas, tal como os espaços ajardinados que a envolvem, onde os banhistas aproveitam para estender a toalha ou abrir a espreguiçadeira que veio na bagageira do carro, com a cesta do piquenique ou a geleira.

O bar, com uma grande esplanada e um menu recheado de petiscos e bebidas frescas, rivaliza com a área de merendas e churrasco, onde é usual ver quem prepara os grelhados para o almoço convivendo com os fregueses seguintes, que aproveitam o lume para se aviar. É o local ansiado o ano inteiro por famílias que começam a chegar com os primeiros raios de sol e ali gozam, até quase ao cair da noite, cada dia deste verão. É que é mesmo difícil ir embora.

MAÇÃO

Ortiga

© CMM

A praia fluvial de Ortiga, na albufeira da Barragem de Belver, é frequentada sobretudo pelos clientes do parque de campismo, procurado durante todo o ano por autocaravanas. Não sendo oficialmente reconhecida como praia, é talvez das mais antigas e que mais gente chama dos concelhos vizinhos de Gavião e Abrantes.

Junto ao areal, com toldos de palha, dispõe de balneários e wc, e além da piscina flutuante alargada tem um cais para atracar pequenas embarcações. Ali encontramos também canoas de todas as cores, prontas para quem as quiser pagaiar.

Há ainda uma torre de desportos radicais (para escalada, por exemplo) e um bar onde se pode petiscar ou beber algo fresco entre amigos, com dois patamares de esplanadas, ambas a usufruir da sombra árvores de grande porte, com vista para o espelho de água. À volta não faltam sítios de interesse turístico e histórico, e vale a pena caminhar pelos trilhos que envolvem a Barragem ou subir pelo PR das Arribas do Tejo para uma vista espectacular sobre toda a albufeira e a envolvente da central hidroeléctrica, vendo o pôr-do-sol que se desenha com fios de ouro espelhados rio abaixo. Com sorte, verá esta paisagem idílica ser rasgada por um dos comboios da Linha da Beira Baixa, compondo a cena digna de registo cinematográfico.

MAÇÃO

Pego da Rainha

© Ana Alcobia

Não é fácil lá chegar, mas assim que desligamos o motor do carro ou paramos para recuperar o fôlego, sabemos de imediato que o triplo do esforço valeria a pena. Um paraíso de águas límpidas, que nascem ali, em cascata, formando um lago profundo entre o verde esmeralda e o azul, conforme a luz solar que ali incide.

Mais acima, subindo à direita do pego onde a Rainha Santa Isabel terá parado para se refrescar, numa viagem entre Coimbra e Vila Viçosa, há duas mesas de merendas num patamar, à beira do pequeno curso de água que haverá de cair em cascata. Se continuarmos a fintar as rochas, encontramos a nascente poucos metros depois. O verde reina neste cenário quase amazónico, onde grandes árvores de copa larga e alta se impõem à vegetação, com as margens cobertas por fetos frondosos, banhados pelos fios finos de água que escorrem sem parar pelas paredes rochosas. Um verdadeiro santuário natural, que merece a nossa veneração.

Sertã

Ribeira Grande

© CMS

A praia fluvial da Ribeira Grande mantém a calmaria do campo apesar de estar situada no centro da vila. Ali não se ouvem carros, apenas o som da água a cair no açude, o canto das aves, a dança das copas das árvores com o vento e, esporadicamente, o coaxar de algumas rãs.

Além da água límpida e uma zona de relva e sombras, tem parque de merendas com grelhadores, equipamentos de ginástica ao ar livre e um circuito (pedonal ou para bicicletas) marcado até à zona da Carvalha, sempre junto à ribeira.

Sertã

Troviscal

© CMS

A Praia Fluvial do Troviscal, a menos de dois quilómetros da sede desta freguesia, tem a natureza envolvente como ponto forte. Um dos segredos mais bem guardados do concelho da Sertã, tem quedas de água, árvores imponentes e a ruralidade da paisagem circundante quase intacta.

Sertã

Trízio

É um dos mais antigos pontos de acesso à albufeira de Castelo de Bode e é nesta praia que se encontra o Centro Náutico do Zêzere, com vários equipamentos de apoio à zona fluvial e à prática de atividades como canoagem, ski aquático ou wakeboard, e zonas para campismo e caravanismo. Tem também um bar com esplanada, zona de parque infantil e muito espaço para acolher grupos diferentes. Para quem gosta mais de terra do que de água, há também uma estação intermodal da Grande Rota do Zêzere, percurso pedestre que acompanha o curso do rio, da nascente à foz.

Sertã

Marmeleiro

© CMS

Aproveitamento de um açude agrícola na ribeira da Isna, tem uma área fluvial para adultos e outra para crianças, e espaços amplos para brincar e descansar. Com uma cana e paciência, os mais pequenos podem também aqui iniciar-se nas artes da pesca.

Tomar

© Luís Ribeiro

Ainda que não sejam oficialmente reconhecidas como praias, e não tendo as mesmas infraestruturas que outras da região, existem em Tomar alguns acessos especiais às águas da albufeira de Castelo de Bode, como é o caso da praia fluvial de Montes, na freguesia de Olalhas, a cerca de 17 km da cidade de Tomar. É um local de excelência para a prática de desportos náuticos e ali está instalado um dos cinco cable parks do Médio Tejo que possibilitam a prática de wakeboard.

Muito similares são as praias fluviais de Alverangel e Alqueidão, sendo que a primeira fica na freguesia de São Pedro, perto da aldeia de Casalinho, e a segunda, na freguesia de Olalhas, convida a mergulhos no final de um percurso pedestre – a Rota das Águas – que passa por 14 fontes. Ter mais condições na praia de Alqueidão, de onde se avista a Ilha do Lombo, é um anseio antigo da população e há já um projeto a aguardar obra, vencedor da edição de 2017 do Orçamento Participativo do Município de Tomar.

VILA DE REI

Penedo Furado

© Paulo Jorge de Sousa

Um paraíso encravado entre maciço rochoso e floresta densa, é a estância balnear mais procurada do concelho de Vila de Rei e foi finalista no concurso ‘Praias de Portugal – 7 Maravilhas de Portugal’, em 2012.

De água tão gelada quanto límpida e cristalina, corre pelo leito e, através de uma passagem na piscina natural, forma depois uma queda de água.

De Vila de Rei demora-se cerca de 10 minutos seguindo pela mítica EN2. Com um amplo parque de merendas e área de churrasco, permite também a realização de diversas atividades desportivas, sendo ponto de referência entre rotas pedestres.

No ano passado ganhou um passadiço de madeira, com 532 metros lineares, e várias plataformas com zonas de descanso, bancos e miradouros.

Os passadiços permitem fazer o troço que antes se percorria entre as rochas para chegar às famosas cascatas, onde a água chama os mais corajosos a mergulhar.

Junto à estrada, de fácil acesso, surge o Miradouro do Penedo Furado, inaugurado em 1964, com vista panorâmica sobre a praia fluvial, e, no lado direito, existe um acesso pedonal à zona mais baixa do penedo que passa pela denominada “Bicha Pintada”: um fóssil que se crê ter mais de 480 milhões de anos, inserido no topo de uma camada de quartzito cinzento-escuro, com 30 cm de espessura.

Mais acima localiza-se ainda o Miradouro das Fragas do Rabadão, de onde se poderá apreciar uma via-sacra em jeito de pequeno santuário, com estatuetas oferecidas por populares. Estão lá no alto, vigiando o vale e as suas quedas de água naturais.

VILA DE REI

Zaboeira

© Joana Rita Santos

Seguindo de Vila de Rei em direção a Ferreira do Zêzere, passando pela localidade de Estevais, e avançando pela Estrada Nacional 348, as placas não deixam enganar. O caminho para a praia da Zaboeira faz-se depois de olhos postos da Albufeira de Castelo do Bode, seguindo o apelo da sua cor azul tão característica.

É uma zona balnear que tem sido classificada como Qualidade de Ouro pela Quercus, e convida, além dos banhos na piscina flutuante com compartimento anexo para crianças, a passeios de barco ou a um piquenique nas colinas verdejantes, ensombradas por pinheiros e outras espécies invasoras mas típicas deste território, como as acácias.

VILA DE REI

Fernandaires

© CMVR

A 8 km de Zaboeira, seguindo sempre por estrada municipal, e avistando Alcamim pelo meio, temos sempre à espreita a albufeira turquesa, por entre os verdes e altos pinheiros bravos que delimitam o caminho.

Num espaço aberto salta à vista a piscina flutuante, com uma zona para adultos e outra para crianças e, no lado esquerdo do terreno da praia, há um bar de apoio.

Distinguida com a bandeira Qualidade de Ouro, da Quercus, Fernandaires tem este ano um novo ancoradouro para barcos, sendo comum existirem embarcações a ligar os vários braços da albufeira, entre os concelhos de Tomar, Abrantes, Sertã e Ferreira do Zêzere.

Aqui está também um dos cinco cable parks da região do Médio Tejo para a prática de wakeboard.

Nos dias em que o nível das águas da albufeira é baixo, tente avistar as ruínas da antiga Isna Velha, uma das 8 povoações que ficaram submersas no concelho após a construção da Barragem de Castelo do Bode, em 1950.

VILA DE REI

Bostelim

© Joana Rita Santos

É a única praia com Bandeira Azul do distrito de Castelo Branco. Para desgosto dos veraneantes, foi muito massacrada pela intempérie causada pela depressão Elsa, em dezembro de 2019, encontrando-se em obras por tempo indeterminado. Ainda não é possível garantir que abrirá a tempo de um mergulho nesta época balnear de 2020.

Situa-se junto à fronteira das freguesias de Fundada e São João do Peso, e pode ver-se a ribeira do Bostelim num estado de natureza puro a montante da zona balnear, de margens verdejantes, quando espreitamos debaixo da ponte.

A zona fluvial possui areia e solo relvado contíguos à linha de água, com espreguiçadeiras debaixo das sombras naturais e toldos de palha. Tem bar, wc e balneários, parque de merendas com churrasqueiras e um parque de campismo rural licenciado, com parque para autocaravanas.

VILA DE REI

Pego das Cancelas

© Joana Rita Santos

É um espaço idílico e sereno, onde o espírito selvagem ainda impera. Das cinco praias de Vila de Rei é a que fica mais afastada da sede de concelho, na freguesia de São João do Peso, já muito perto da fronteira com Cardigos, do concelho de Mação.

Para lá chegar há que cortar à esquerda à saída de Portela dos Colos, última localidade do concelho vilarregense. O acesso é relativamente difícil, com uma estrada de inclinação considerável.

Em zona de mata virgem, as águas frescas e limpas da ribeira são igualmente ricas em fauna piscícola, com barbos, bogas e bordais, que com o bater do sol se conseguem avistar a desenhar círculos à tona de água.

Antes ou depois de um mergulho, é obrigatório passar pela ponte romana dos três concelhos, nos limites da Sertã, Mação e Vila de Rei, construída entre os séculos I e IV. Esta ponte fazia parte de uma antiga via romana que ligava Mérida (Espanha) a Conimbriga e está perto à povoação do Sambal, na freguesia do Marmeleiro, e junto ao Pego das Cancelas, sobre a ribeira da Isna.

Gavião

Alamal

© CMG

As águas do rio Tejo até podem ser um pouco frias, mas isso é um detalhe quando cá fora as temperaturas ultrapassam os 40 graus durante o Verão. Situada na margem esquerda do Tejo, a calma das suas águas, apenas possível graças à localização entre duas barragens — a de Belver, a jusante, e a de Fratel, a montante – convidam ao repouso e a tirar o máximo partido do sol. Para chegar a esta reserva fluvial de tranquilidade, a estrada é estreita e sinuosa a descer de Gavião, situado no extremo do norte alentejano e o único concelho que abraça as duas margens do rio Tejo. A viagem pode ser feita de carro, de bicicleta ou a pé, percorrendo cerca de cinco quilómetros desde a vila até à praia fluvial do Alamal.

Um caminho que vale a pena porque à nossa espera está uma vista deslumbrante sobre a margem norte, que tem à beira rio a linha ferroviária da Beira Baixa e lá no alto, o castelo de Belver como sentinela.

Na antiga Quinta do Alamal, transformada em centro balnear, existem várias zonas de descanso e tranquilidade para os períodos de maior calor, a fonte do Lagarto, com água de nascente, trilhos para pequenas caminhadas, dois tanques de água e uma zona relvada para piqueniques.

Amieiros, freixos e salgueiros espelham-se nas águas do rio, que abrigam há anos bandos de amistosos patos, sempre à espera de umas migalhas de pão.

A praia fluvial oferece todas as comodidades de uma praia tradicional, com areia, casas-de-banho e duches, além de ser perfeita para a prática de atividades náuticas – os banhistas têm à disposição gaivotas e caiaques, podendo ainda combinar passeios de barco no rio e ou a prática de ski aquático.

Para estacionar o carro há um parque gratuito logo ao lado do bar, onde pode tomar um café, petiscar, almoçar ou jantar, e outro parque, um pouco mais distante, em zona de terra batida.

Se é amante de caminhadas tem vários percursos pedestres na envolvente. Comece por percorrer o passadiço de madeira que liga a zona balnear à ponte de Belver.

Ponte de Sor

Albufeira de Montargil

© Lago Montargil & Villas

A água marca a paisagem nesta ponta do concelho de Ponte de Sor. A albufeira de Montargil estende-se como um espelho refletindo a beleza ímpar deste local, enquadrado no montado alentejano, e apresentando-se como um dos maiores atrativos da região. Servida por hotelaria de excelência, Montargil tem também um parque de campismo e um ancoradouro para atracar barcos.

A construção da barragem resultou da necessidade de encontrar uma solução para irrigar o vale e produzir eletricidade, mas depressa ganhou fama pelas ótimas condições para a prática de desportos náuticos, desde a vela ao jet-ski, bem como à pesca desportiva.

O espelho de água forma-se pelo estancamento das águas do rio Sor, afluente do Sorraia, que por sua vez desagua no Tejo. O lago é envolvido por pinheiros, pintalgado por alguns salgueiros e eucaliptos e, porque estamos no Alentejo, o horizonte é dominado pelo montado de sobreiro, que aqui têm uma função dupla, servindo também de sombra aos banhistas, em dias de sol escaldante.

A temperatura da água convida a banhos e embora não ofereça muitas zonas de areia, nas margem da albufeira encontram-se bons locais para estender a toalha. Além da praia fluvial de Montargil, junto ao paredão da barragem encontramos a praia fluvial do Pintadinho, e outro local propício para banhos situa-se junto à aldeia de Carvalhoso, perto do cruzamento entre a Estrada Nacional 2 e a Estrada Nacional 243. Importa sublinhar que estas zonas de acesso à água, por norma, não têm vigilância.

Em 2020, a albufeira de Montargil foi distinguida, pelo segundo ano consecutivo, com o prémio Cinco Estrelas Regiões na categoria de reservas, paisagens e barragens. É ainda um local referenciado para a observação de aves como rouxinóis, felosas, andorinhas e estorninhos. Em maiores altitudes esvoaçam águias e milhafres. E nas margens do rio Sor podem observar-se garças e os patos-reais.

Uma boa forma de ver a albufeira de Montargil em quase toda a sua plenitude é subir à Serra de Montargil, e procurar o miradouro, na parte alta da vila.

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